Quais as diferenças entre Succinato e Tartarato de Metoprolol?

Foi veiculado na na TV aberta uma reportagem sobre um erro cometido por uma farmacêutica ao afirmar que os medicamentos succinato de metoprolol e tartarato de metoprolol fazem o mesmo efeito.
Esta foi uma ótima oportunidade de esclarecer para você leitor, a dúvida sobre as diferenças entre estas duas moléculas.
metoprolol

Quais as diferenças entre Succinato e Tartarato de Metoprolol?

O metoprolol é um agente betabloqueador adrenérgico seletivo é equipotente ao propranolol na inibição da estimulação dos receptores ß1-adrenégicos, como aqueles existentes no coração, porém tem uma potência 50 a 100 vezes menor do que o propranolol no bloqueio dos receptores ß2. Apesar de o metoprolol ser muito semelhante ao propranolol em outros aspectos, sua cardiosseletividade relativa pode ser vantajosa no tratamento de pacientes hipertensos que também são portadores de asma, diabetes ou doença vascular periférica.

Está comercialmente disponível como tartarato, na forma de comprimidos orais de liberação imediata e injeção parenteral e como succinato, na forma de comprimidos de liberação estendida (ou controlada).

Seus nomes comerciais e indicações estão descritas abaixo de acordo com suas bulas extraídas do site: http://www.def.com.br/

SELOKEN® (Tartarato de metoprolol)Comprimidos: Embalagem com 20 comprimidos 100 mg
Indicações – Hipertensão arterial: Redução da pressão arterial, da morbidade e do risco de mortalidade de origem cardiovascular e coronária, incluindo morte súbita, alterações do ritmo cardíaco (incluindo especialmente taquicardia supraventricular), angina pectoris, tratamento de manutenção após infarto do miocárdio, tratamento sintomático em hipertireoidismo, alterações cardíacas funcionais com palpitações e profilaxia da enxaqueca.

SELOZOK® (Succinato de metoprolol)Apresentações – Embalagens com 20 e 30 comprimidos de liberação controlada de 25 mg, 50 mg ou 100 mg.
Indicações – Hipertensão arterial; alterações do ritmo cardíaco; angina pectoris; tratamento de manutenção após infarto do miocárdio; alterações cardíacas funcionais com palpitações; profilaxia da enxaqueca e como um adjuvante na terapia da insuficiência cardíaca crônica sintomática, leve a grave.

De acordo com um boletim informativo produzido pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Centro de Informações sobre Medicamentos do Rio Grande do Sul – CIM-RS

A dose e a frequência de administração preconizada dependerão da forma farmacêutica utilizada e consequentemente do sal que está sendo empregado. As seguintes informações são descritas sobre uso das formas farmacêuticas nas diferentes indicações:
– a dose deve ser individualizada conforme a resposta do paciente;
– quando houver a substituição de formas de liberação imediata para formas de liberação estendida, a mesma dose total diária de metoprolol deve ser utilizada; titulação da dose pode ser necessária em alguns pacientes;
– para tratamento de hipertensão e angina pectoris, é descrito o uso das formas farmacêuticas de liberação regular e liberação estendida;
– para tratamento de insuficiência cardíaca congestiva, é descrito o uso da forma de liberação regular e de liberação estendida;
– no tratamento de manutenção de infarto do miocárdio, são utilizados comprimidos convencionais;
– comprimidos de liberação regular de tartarato de metoprolol podem ser administrados juntamente ou imediatamente após a ingestão de alimento. Formas de liberação estendida podem ser administradas sem alimento; podem inclusive ser partidas ao meio; no entanto, o comprimido inteiro ou partido não deve ser mastigado, nem triturado;
– em idosos: iniciar com a menor dose dentro da faixa de dosagem.

Pode-se concluir que:
♦ No tratamento da hipertensão e angina pectoris, as formas farmacêuticas de liberação convencional e liberação prolongada podem ser utilizadas.
♦ No tratamento de insuficiência cardíaca congestiva apenas o uso da forma de liberação prolongada é descrito.

As principais diferenças entre os 2 medicamentos estão relacionadas com sua farmacocinética, na forma de liberação do fármaco (metoprolol), o que define a sua utilização para as patologias específicas.

Tartarato de Metoprolol Succinato de Metoprolol
Medicamento Liberação REGULAR Liberação PROLONGADA
Tempo para atingir a concentração máxima: 1 A 2 horas 6 A 12 horas
Biodisponibilidade 40 A 50% 65 A 70%
Tempo de ação: 6 A 12 horas 24 horas

metoprolol

Mais informações sobre o Selozok®:

Os comprimidos revestidos de Selozok® podem ser partidos ao meio:

O comprimido revestido de liberação controlada consiste de múltiplos grânulos de succinato de metoprolol. Cada grânulo é recoberto com uma membrana de polímero que controla a velocidade de liberação do metoprolol.
O comprimido desintegra-se rapidamente após a ingestão, dispersando os grânulos ao longo do trato gastrointestinal, os quais vão liberando o metoprolol continuamente por cerca de 20 horas. A meia-vida de eliminação do metoprolol é em média de 3,5 horas. Assim, uma concentração plasmática constante de metoprolol é alcançada com intervalo de administração de 24 horas. A velocidade de liberação é independente de fatores fisiológicos, tais como, pH, alimentos e peristaltismo.
SELOZOK 25 mg
Cada comprimido revestido de liberação controlada contém 23,75 mg de succinato de metoprolol que equivale a 25 mg de tartarato de metoprolol.
SELOZOK 50 mg
Cada comprimido revestido de liberação controlada contém 47,5 mg de succinato de metoprolol que equivale a 50 mg de tartarato de metoprolol.
SELOZOK 100 mg
Cada comprimido revestido de liberação controlada contém 95 mg de succinato de metoprolol que equivale a 100 mg de tartarato de metoprolol.

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O objetivo deste artigo não é defender a profissional, nem justificar o fato dela ter falado que os medicamentos são iguais, uma vez que não existe o medicamento genérico correspondente ao Selozok®, somente existe genérico do Seloken®.  Atualmente existem genéricos do Selozok® e do Seloken®. [Vide Lista de Medicamentos Genéricos Registrados- ANVISA.]
Cabe ao Conselho Regional de Farmácia o tratamento adequado à conduta da farmacêutica.

São medicamentos cujas moléculas são diferentes e que possuem tempo de ação distintos no corpo humano.

Na reportagem em questão o médico entrevistado cita os possíveis problemas que podem ocorrer em virtude da troca do medicamento, como tempo de ação e enfatiza a necessidade de se respeitar a prescrição médica.

As interações medicamentosas acontecem quando  são prescritos dois ou mais medicamentos para um paciente e estes medicamentos podem interagir entre si de várias maneiras causando problemas ou não ao tratamento e à saúde do paciente.

Pode-se perceber que o objetivo da reportagem foi informativo com o intuito de alertar a população sobre a necessidade do respeito à prescrição médica. Mesmo assim, faltaram maiores informações sobre as diferenças existentes entre as duas moléculas como foi explicado neste artigo.

Gostaria de enumerar algumas situações que acontecem na drogaria e que seria cabível reportagens sobre:

  • Recebemos inúmeras prescrições com vários medicamentos que interagem entre si e que podem causar problemas no tratamento e saúde do paciente;
  • Prescrições com dosagens erradas e ou medicamentos que não existem mais;
  • Prescrições com medicamentos indicando que fazem parte do programa Aqui tem Farmácia Popular, quando não estão presentes na lista;
  • Prescrições de medicamentos sujeitos a controle especial com inúmeros erros e em desacordo com a Portaria 344/98;

Por aí vai….

Fontes:
♦ http://www.def.com.br/
♦ http://www.ufrgs.br/boletimcimrs/P9_metoprolol.pdf
♦Katzung, Bertram G – Farmacologia Básica e Clínica – 8ª edição – 2006 – Editora Guanabara Koogan S.A.
♦ http://farmaceuticoemerson.blogspot.com.br/2009/06/quais-as-diferencas-entre-succinato-e.html
♦ Reportagem exibida no dia 26/02/2014 na televisão

24 COMENTÁRIOS

  1. Minha mãe sempre tomou o tartarato e agora a médica colocou na receita o seszolok que é o succinato. Posso ignorar e comprar o tartarato? Afinal de contas ela não avisou da troca. Não sei se foi engano nas hora de fazer a receita!

  2. Boa tarde,
    Faço uso do Selozok 100mg quase 14 anos, posso usar o Emprol XR 100mg (Similar) ou o Succinato Genérico (Medley)?

  3. Esclarecedora a matéria! Muito bom. Que os farmacêuticos sejam mais exigentes com os médicos ao prescreverem medicamentos. Deveria ser obrigatório receitas impressas. Há receitas duvidosas por causa da letra. Esses profissionais deveriam trabalhar em parcerias . Por que não realizam um evento em conjunto? “Dúvidas, abordagens e erros na compra de medicamentos”. Ou algo similar. Ajudaria a todos, já que a informação nem sempre chega corretamente ao consumidor.

    • Ei Maria,

      Seria maravilhoso ter esta interação com os médicos. Pena que seja tão difícil! Obrigada por gostar do Blog e do artigo. Seja sempre bem vinda ao FD!

  4. Só acho que balconista não é farmacêutico. As pessoas falam que o farmacêutico me dispensou tal medicação, onde na verdade foi o balconista.

    • Concordo com você Marina,
      Infelizmente é o que mais acontece. As pessoas ainda não sabem diferenciar os dois profissionais. Cabem aos farmacêuticos se valorizarem e mostrarem o seu valor nas farmácias e drogarias do nosso país.

  5. Excelente matéria! Me incluo em várias episódios! Minha mãe com 92 anos foi internada para uma cirurgia hematoma subdural e pegou pneumonia hospitalar ficando 40 dias internada. Saiu com essa prescrição de metoprolol 50mg, minha cidade é pequena e somente achei tartarato de metoprolol 100 que o farmacêutico disse ser igual e partir para ministrar! Francamente estamos com uma leva de profissionais a desejar!

  6. Minha mãe tomava tartarato de metoprolol 100 mg, a algúm tempo a Dra. mudou para succinato de metoprolol 100 mg, mas como ela já toma Xarelto 15 mg q é um remédio muito caro (180,00 cx com 28 comp) eu continuei dando o tartarato e minha mãe está cada dia melhor, não sinto diferença nela, está bem.

  7. Sou estagiária em farmácia distrital, e pude observar a quantidade de receitas que recebemos de prescrições escrito apenas “metropolol”. É realmente preocupante. Quando isto ocorre, não dispensamos e explicamos a diferença para os pacientes. Muitos nem sabem da existência dos dois tipos e as vezes ficam indignados por não levarem a medicação, outros aceitam e compreendem que é um cuidado necessário e agradecem pelo esclarecimento.

    • Amanda,
      É esse cuidado que vocês tomam que é a essência da nossa profissão.
      Uma pena essa realidade das receitas que recebem escrito apenas “metropolol”. Eu também já fiz isso no balcão da drogaria, não dispensei. O cliente achou ruim.

      Ter o cuidado de não dispensar e explicar ao cliente o porque, mesmo que isso vá acarretar uma “perda de venda” para uma drogaria particular não é perda. É um ganho, é um ganho para a empresa, para o cliente e para o médico do cliente que tem a chance de corrigir a prescrição.

      Precisamos interagir com os outros profissionais da saúde para que possamos propiciar o melhor atendimento e melhorar a qualidade de vida e saúde da população.

      • Tenho uma filha que está cursando medicina, e embora muito jovem, tento mostrar a ela os descasos de alguns médicos com o paciente. Para alguns pacientes o melhor e o succinato, en quanto para outros o tartarato. O médico que joga essa responsabilidade nas mãos do farmacêutico é BURRO.
        Sempre digo para minha filha – “Quando se formar, nunca acredite no que seus olhos veem. Conte sempre com mais uma ou duas possibilidades, pois vai tratar com vidas humanas e todas as garantias são necessárias para se diagnosticar corretamente”.
        Enfim…tomo o succinato e meu cardio teve a preocupação de me explicar essa necessidade. Por que todos não são como ele? Resposta: Fazem medicina pensando em dinheiro.
        Se algum médico acha que estou errado, por favor sinta-se a vontade para responder.

  8. Boa noite!
    Eu já consultei o laboratório Astra Zeneca – fabricante do Selozok – e obtive a informação que os comprimidos podem ser partidos. Não triturados ou mastigados. Aliás, no meu local de trabalho, os comprimidos de Selozok 50 mg são partidos sem haver notificações de inefetividade.
    O que estamos tentando ajustar nas prescrições é a frequência de administração. Os médicos insistem em prescreve de 12 em 12 horas em vez de uma vez ao dia.

    • Olá Alexandre,
      Obrigada pela confirmação da informação sobre poder partir o comprimido do Selozok.
      Sua informação é muito importante para este artigo!
      Seja sempre bem vindo ao blog!

  9. Gostaria de saber de onde foi tirada a informação que:.. Formas de liberação estendida (do metoprolol) podem inclusive ser partidas ao meio…

    Grata pela Atenção!

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