<h2 class="icon cx-green" style="text-align: justify;">As Feridas e o Processo de Cicatrização</h2>
<div class="icon cx-green" style="text-align: justify;">Falar sobre feridas é um assunto complexo visto que, para entender e tratar corretamente os diversos tipos de lesões, exige uma série de conhecimentos sobre a pele, fisiologia tegumentar, processo de cicatrização, comorbidades pré-existentes, tipos de curativos e, coberturas que podem ser utilizados.</div>
<div class="icon cx-green" style="text-align: justify;">Por isso, apresentaremos nesse post assuntos pertinentes e relevantes para o entendimento dos tipos de feridas mais comuns vistas na prática clínica e o processo de cicatrização.</div>
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<h2><a href="https://sun.eduzz.com/719562?utm_source=sitefd&;utm_medium=banner-post&;utm_campaign=guia-curativos" target="_blank" rel="noopener"><img class="aligncenter wp-image-8110 size-full" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/640x130-banner-curativos-1.png" alt="guia-prático" width="640" height="130" /></a></h2>
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<h2>A Pele</h2>
<p style="text-align: justify;">O tegumento ou pele é o maior órgão do corpo humano, cobre toda a superfície corporal e pesa aproximadamente 15% da massa de um indivíduo. Possui cerca de 2,2 m<sup>2</sup> de extensão e uma espessura que varia de aproximadamente 1,25 a 3 mm, dependendo da região anatômica, função, sexo e idade da pessoa.</p>
<p>É composta por duas camadas que são a <strong>epiderme ou extrato córneo </strong>e a<strong> derme</strong>.</p>
<h3>Epiderme ou Extrato Córneo</h3>
<p style="text-align: justify;">â Constituída por epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, formado por células mortas. É a camada mais externa e superficial, possui anexos como o folículo piloso, as glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas e unhas. Apresenta músculos lisos para ereção dos pelos e terminações nervosas sensitivas associadas.</p>
<h3>Derme</h3>
<p style="text-align: justify;">â É a camada logo abaixo e sustenta a epiderme. É constituída por elementos fibrilares como colágeno e elastina e outros elementos de matriz extracelular como proteínas estruturais, glicosaminoglicanos, íons e água de solvatação. É a camada da pele que confere elasticidade e resistência à tração. Os melanócitos presentes nessa camada produzem a melanina que confere cor à pele e proteção contra a radiação solar.</p>
<h3>Tela Subcutânea</h3>
<p style="text-align: justify;">â A <strong>tela subcutânea</strong>, antigamente denominada <strong>hipoderme</strong> é formada principalmente por tecido conjuntivo frouxo e gordura, contém glândulas sudoríferas, vasos sanguíneos superficiais, vasos linfáticos e nervos cutâneos. As estruturas neurovasculares seguem na tela subcutânea, distribuindo apenas seus ramos terminais para a pele.</p>
<p style="text-align: justify;">É responsável pela maior parte do reservatório de gordura do corpo, assim sua espessura varia muito, dependendo do estado nutricional da pessoa. É variável de indivíduo a indivíduo e de acordo com sua localização. Funciona como reservatório energético, isolante térmico, modelador da superfície corporal e protege contra choques mecânicos.</p>
<figure id="attachment_8047" aria-describedby="caption-attachment-8047" style="width: 701px" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-8047 size-full" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/EstruturaPele.jpg" alt="Camadas-da-pele" width="701" height="563" /><figcaption id="caption-attachment-8047" class="wp-caption-text">A pele e algumas de suas estruturas especializadas<br />Imagem / Reprodução: MOORE, 2014,p.54</figcaption></figure>
<h3>Funções da Pele</h3>
<ul>
<li><strong>Proteção</strong>: proteger o organismo de ameças externas como agentes químicos, físicos, microorganismos, corpos estranhos e impede a desidratação por perda de água e eletrólitos.</li>
<li><strong>Sensorial</strong>: possui inúmeras terminações nervosas responsáveis por sensações táteis, frio e calor. A sensibilidade possibilita a identificação de potenciais perigos e auxilia a evitar traumas.</li>
<li><strong>Termorregulação</strong>: a pele auxilia na conservação da temperatura corporal de acordo com a necessidade. O processo envolve a ação de nervos, vasos sanguíneos e glândulas. Em situações de calor, os vasos dilatam para direcionar o fluxo sanguíneo para a periferia corporal, as glândulas sudoríparas secretam suor que ao evapor, promove a perda de calor excessivo. Já em situações de frio, os vasos se contraem para direcionar o fluxo sanguíneo para o interior do corpo enquanto a ereção dos pelos, que provoca arrepios, gera calor para aquecer o corpo.</li>
<li><strong>Excreção</strong>: a excreção do suor auxilia no equilíbrio eletrolítico corporal e hidratação enquanto a excreção de sebo auxilia na integridade e flexibilidade da pele.</li>
<li><strong>Metabolismo</strong>: a síntese de vitamina D na pele exposta ao sol é essencial ao metabolismo de cálcio e fósforo responsáveis pela na mineralização de ossos e dentes.</li>
<li><strong>Absorção</strong>: há várias substâncias como medicamentos e outras, como pesticidas, que são capazes de transpor a epiderme, chegar à corrente sanguínea e causar efeitos sistêmicos.</li>
</ul>
<hr />
<h2>O Processo de Cicatrização</h2>
<p class="western" style="text-align: justify;"><mark>O processo de cicatrização é um conjunto de processos complexos e interdependentes cuja finalidade é restaurar os tecidos lesados</mark>. Ele segue uma sequência específica, com três fases dependentes umas das outras e sobrepostas, isto é, sem definição precisa de quando termina uma fase e começa a outra.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;">A cicatrização envolve diversos eventos celulares e bioquímicos. O tempo desse processo é variável porque depende da extensão da ferida, idade, sexo, condição de saúde do paciente, presença de infecção local, vascularização da região afetada, nutrição adequada do paciente, dentre outros fatores.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-8050" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Cicatrizacao.png" alt="o-processo-de-cicatrizacao" width="482" height="183" /></p>
<h3>Fases do Processo de Cicatrização</h3>
<h4 class="western">1. Inflamatória ou Exsudativa:</h4>
<p style="text-align: justify;">É uma reação local não específica que ocorre em resposta a danos teciduais que se inicia logo após ocorrer a lesão ou trauma e é caracterizada pela presença de rubor (coloração avermelhada), dor, calor local e edema (inchaço da região lesada). Pode durar aproximadamente 72 h e é caracterizada por aumento da permeabilidade capilar, migração de leucócitos para o local da ferida e liberação de mediadores químicos. <b>Exsudação</b> é a perda de líquido, com alto teor de proteínas séricas e leucócitos, células de defesa do organismo, pela ferida.</p>
<h4 class="western">2. Proliferativa ou Granulação:</h4>
<p style="text-align: justify;">Inicia-se durante a fase inflamatória e é caracterizada por intensa atividade celular local. Essa fase pode durar por um período de 1 a 14 dias. Ocorrem processos como neovascularização, formação de novos vasos sanguíneos locais, síntese de colágeno e epitelização, formação de nova camada epitelial. Durante essa fase há diminuição da atividade inflamatória, mas a ferida permanece vermelha e edemaciada (inchada). É também chamada de fase fibroblástica.</p>
<h4 class="western">3. Maturação ou Remodelamento ou Reparativa:</h4>
<p class="western" style="text-align: justify;">Essa fase tem início por volta do 3º dia e pode durar até 6 meses. Ocorre diminuição da quantidade de fibroblastos, reorganização das fibras de colágeno e diminuição do rubor tecidual. O tecido cicatricial previamente formado sofre remodelação, e o alinhamento das fibras é reorganizado para aumentar a resistência do tecido e diminuir a espessura da cicatriz, reduzindo a deformidade.</p>
<figure id="attachment_8051" aria-describedby="caption-attachment-8051" style="width: 693px" class="wp-caption aligncenter"><img class="size-full wp-image-8051" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Fases-Cicatrizacao.jpg" alt="fases-cicatrizacao" width="693" height="543" /><figcaption id="caption-attachment-8051" class="wp-caption-text">Fases da cicatrização e deposição dos componentes da matriz cicatricial ao longo do tempo<br />Imagem / Adaptado de Isaac et al.2010</figcaption></figure>
<hr />
<h2>Tipos de Cicatrização</h2>
<h3 class="western">1. Cicatrização por primeira intenção ou imediata (União primária)</h3>
<ul>
<li class="western">Incisão limpa em que as bordas estão aproximadas;</li>
<li>Existe pouca perda de tecido;</li>
<li>Pouco ou nenhum exsudato</li>
<li>O edema é mínimo, não há infecção ou corpo estranho;</li>
<li>O fechamento é relativamente rápido, de início com fibrina e formação de colágeno, prosseguindo à medida que ocorre impermeabilização da ferida;</li>
<li>O fechamento total acontece em 48h, impedindo a instalação de bactérias;</li>
<li>O tecido de granulação não é visível, e a mobilização da lesão é pequena;</li>
<li>É o tipo de cicatrização cirúrgica.</li>
</ul>
<h3 class="western">2. Cicatrização por segunda intenção ou mediata (Contração e Epitelização)</h3>
<ul>
<li>É aquela que permanece aberta;</li>
<li>Onde existe uma perda significante de tecido e onde as fases de cicatrização são bastante marcadas;</li>
<li>Resposta inflamatória bastante evidente, com necessidade maior de tecido de granulação, com epitelização visível;</li>
<li>Há necessidade de um grande fortalecimento e um grande processo de contração;</li>
<li>A cicatrização acontece tardiamente, muitas vezes com infecção associada, formação de tecido de granulação e posterior epitelização.</li>
</ul>
<h3 class="western">3. Cicatrização por terceira intenção</h3>
<ul>
<li>Ferida que fica aberta por um tempo determinado;</li>
<li>Ela ficará aberta só enquanto estiver com uma infecção real e depois ela irá se fechar.</li>
</ul>
<hr />
<h3>Fatores que Interferem no Processo de Cicatrização</h3>
<p>Há vários fatores que podem interferir no processo de cicatrização e que, por sua vez, podem ser divididos em <strong>fatores sistêmicos</strong> e <strong>fatores locais</strong>.</p>
<h4 class="western">Fatores Sistêmicos</h4>
<ul>
<li><strong>Estado nutricional</strong>: deficiências nutricionais que afetem diretamente a síntese de colágeno podem dificultar o processo de cicatrização;</li>
<li><strong>Perfusão e oxigenação dos tecidos</strong>: doenças que alteram o fluxo sanguíneo normal podem afetar a distribuição dos nutrientes para as células, assim como dos componentes do sistema imunológico;</li>
<li><strong>Medicamentos e radioterapia</strong>: corticosteroides, quimioterápicos e radioterapia prejudicam a cicatrização de feridas porque diminuem a resposta imunológica adequada, interferem na síntese proteica ou na divisão celular, afetando diretamente a produção do colágeno;</li>
<li><strong>Idade</strong>: o envelhecimento reduz a elasticidade e a resistência dos tecidos, o que dificulta a cicatrização das feridas;</li>
<li><strong>Hiperatividade</strong>: a hiperatividade dificulta a aproximação das bordas da ferida, e o repouso favorece a cicatrização;</li>
<li><strong>Doenças</strong>: doenças crônicas, doenças autoimunes, anemia e transtornos hematológicos causam incompetência das veias e aumentam o risco de infecção, o que contribui para diminuir a resistência do organismo aos agentes patológicos e dificultam a cicatrização.</li>
</ul>
<h4 class="western">Fatores Locais</h4>
<ul>
<li class="western"><strong>Localização da ferida</strong>: áreas mais vascularizadas, de menor mobilidade e tensão possibilitam cicatrização mais rápida do que regiões menos irrigadas ou de maior tensão e mobilidade (exemplos, cotovelos, nádegas, joelhos);</li>
<li><strong>Sangramento</strong>: o acúmulo de sangue favorece a aglutinação de células mortas que necessitam de remoção, além de ocasionar hematomas e isquemia, produzindo dor e retardando o processo de cicatrização;</li>
<li><strong>Edema e obstrução linfática</strong>: dificultam a cicatrização porque diminuem o fluxo sanguíneo e o metabolismo tecidual, facilitando o acúmulo de catabólitos e produzindo inflamação;</li>
<li><strong>Infecção</strong>: a colonização de uma ferida não deve ser confundida com infecção. Ocorre colonização quando a ferida se mantém livre de tecido necrótico e/ou material estranho e é controlada pela ação de neutrófilos e macrófagos. A infecção é caracterizada pela alta concentração bacteriana, comprometimento local do tecido (escara, necrose ou corpo estranho) e comprometimento do estado geral do paciente;</li>
<li><strong>Existência de corpo estranho</strong>: implantes, válvulas artificiais, materiais de curativo ou outro corpo estranho qualquer, tendem a retardar o processo de cicatrização, por serem inertes.</li>
</ul>
<hr />
<h2>O que São Feridas</h2>
<p class="western" style="text-align: justify;"><mark>As feridas ocorrem quando há uma perda de continuidade ou da integridade da pele e/ou do tecido celular subcutâneo que podem chegar inclusive a camadas mais profundas como músculos, tendões e ossos, dependendo da gravidade do ferimento.</mark></p>
<p class="western" style="text-align: justify;">Conforme a intensidade do trauma, a ferida pode ser considerada superficial, quando afeta apenas as estruturas da superfície, ou grave, quando envolve vasos sanguíneos mais calibrosos, músculos, nervos, fáscias, tendões, ligamentos ou ossos.</p>
<hr />
<p><a href="https://sun.eduzz.com/719562?utm_source=sitefd&;utm_medium=banner-post&;utm_campaign=guia-curativos"><img class="aligncenter size-full wp-image-8113" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/640x130-banner-curativos-2.png" alt="guia-pratico" width="640" height="130" /></a></p>
<hr />
<h3 class="western">Classificação das Feridas</h3>
<p style="text-align: justify;">Existem diversas classificações para os diferentes tipos de feridas que podem ser quanto ao tempo de existência, agente causal, presença de infecção ou grau de contaminação, comprometimento tecidual e tipo de tecido.</p>
<hr />
<h4 class="western">1- Quanto à evolução ou tempo de existência</h4>
<p style="text-align: justify;"><strong>Feridas Agudas</strong>: caracterizam-se por terem início repentino e curta duração, além de grande possibilidade de responder rapidamente ao tratamento e apresentar cicatrização sem complicações. Uma ferida cirúrgica é considerada uma lesão aguda;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Feridas Crônicas</strong>: são definidas como <strong>úlceras</strong> e possuem cicatrização lenta, de longa duração, que apresentaram complicações no processo e sequência ordenada da reparação tecidual, podendo ser recorrentes, classificadas em:</p>
<ul>
<li><strong>Úlceras Vasculares</strong> que podem ser ú<span style="font-size: medium;">lceras venosas, ú</span><span style="font-size: medium;">lceras arteriais ou úl</span><span style="font-size: medium;">ceras mistas quando há a presença de lesões venosa e arterial associadas;</span></li>
<li><strong>Úlceras por Pressão / Lesões por Pressão</strong>;</li>
<li><strong>Úlceras Tropicais</strong>: exemplo, Leishmaniose tegumentar.</li>
</ul>
<hr />
<h4>2- Agente Causal</h4>
<p><strong>Lesões Cirúrgicas</strong>: produzidas por um instrumento cortante, limpas, com bordas ajustáveis e passíveis de reconstrução;</p>
<p><strong>Lesões Traumáticas</strong>: provocadas acidentalmente por diversos agentes que por sua vez podem ser:</p>
<p>â <strong>Mecânicos</strong></p>
<ul>
<li><strong>Lacerantes</strong>: lesões produzidas por tração ou rasgo tecidual que resulta em pequena abertura da pele, possuem margens irregulares e com mais de um ângulo;</li>
<li><strong>Perfurantes</strong>: lesões produzidas por objetos que levam a pequenas aberturas na pele, normalmente são mais profundidade que a abertura da lesão em si;</li>
<li><strong>Contusas</strong>: produzidas por objeto rombo (objeto sem ponta) e caracterizadas por traumatismo das partes moles, hemorragia e edema.</li>
</ul>
<p>â <strong>Químicas</strong><b> </b>(por iodo, cosméticos, ácido sulfúrico, etc.);</p>
<p>â <strong>Físicas</strong><b> </b>(frio, calor, radiação).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lesões Ulcerativas</strong>: são lesões escavadas, circunscritas na pele, formadas pela morte e expulsão do tecido, resultantes de traumatismo ou doenças relacionadas com o impedimento do suprimento sanguíneo, que podem ser decorrentes de pressão, alterações vasculares ou complicações do Diabetes Mellitus.</p>
<hr />
<h4 class="western">3- Presença de infecção ou grau de contaminação</h4>
<p class="western"><strong>Limpa</strong>: não apresentam sinais de infecção e ocorrem em condições assépticas e a probabilidade de infecção é baixa;</p>
<p class="western"><strong>Limpa Contaminada</strong>: apresentam contaminação grosseira, como em casos de acidente doméstico ou em situações cirúrgicas em que houve contato com o trato genital, por exemplo, porém a situação ainda é controlada.</p>
<p><strong>Contaminada</strong>: feridas acidentais com mais de 6 horas de trauma, onde a ferida entrou em contato com fezes ou urina, por exemplo. No ambiente cirúrgico, uma ferida é considerada contaminada quando a técnica asséptica não foi devidamente respeitada.</p>
<p><strong>Infectada / Inflamada</strong>: são aquelas que apresentam os sinais abaixo citados:</p>
<ul>
<li>Aumento ou alteração da exsudação;</li>
<li>Tecido de granulação friável e brilhante (que sangra facilmente);</li>
<li>Aumento do odor;</li>
<li>Aumento da dor;</li>
<li>Edema local.</li>
</ul>
<hr />
<h4 class="western">4- Quanto ao comprometimento tecidual</h4>
<p class="western" style="text-align: justify;">A avaliação do tamanho de uma ferida pode fornecer valores que se alteram durante o processo de cicatrização. No estágio inicial, à medida que se remove os tecidos desvitalizados, a ferida parece aumentar de tamanho e profundidade. Isso ocorre por que a real extensão da ferida estava mascarada pelo tecido necrótico ou esfacelo.</p>
<p class="western" style="text-align: justify;"><strong>Feridas com perda parcial de tecido (superficiais)</strong>: são aquelas que acometem a epiderme e uma parte da derme permanece, ocorrendo o processo de regeneração, com proliferação epitelial e migração, sem ocorrer perda da função;</p>
<p class="western" style="text-align: justify;"><strong>Ferida com perda total de tecido (profundas)</strong>: ocorre destruição completa da epiderme e derme, podendo inclusive envolver as camadas mais profundas assim como o subcutâneo, fáscia, músculos e ossos.</p>
<hr />
<h4>5- Quanto ao tipo de tecido</h4>
<p class="western">A lesão pode ser classificada em relação ao tipo de tecido presente como viável ou inviável.</p>
<p><strong>Tecido Viável</strong>: corresponde ao tecido de granulação ou epitelização;</p>
<p><strong>Tecido Inviável</strong>: corresponde quanto à presença de fibrina ou necrose.</p>
<hr />
<h2>Lesões por Pressão, um dos tipos mais comuns de Feridas</h2>
<p style="text-align: justify;">As feridas resultantes de pressão, conhecidas como <strong>Lesões por Pressão</strong>, são lesões resultantes da pressão entre proeminências ósseas sobre partes moles em uma superfície dura, o que leva à isquemia local e à falta de nutrientes, acarretando necrose tecidual, <strong>o que constitui importante problema de saúde pública.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A denominação desse tipo de lesão tem passado por mudanças ao longo do tempo. Inicialmente, eram chamadas de úlceras de decúbito, úlceras de acamado, escaras, escaras de decúbito, úlceras de pressão e úlceras por pressão. Em abril de 2016, o <strong>National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP)</strong> anunciou a mudança da terminologia <strong><u>úlcera por pressão</u></strong> para <strong><u>lesão por pressão</u></strong>. De acordo com os especialistas participantes do Consenso do NPIAP, a adoção do termo lesão por pressão foi justificada por descrever de forma mais precisa esse tipo de lesão, tanto na pele intacta quanto na ulcerada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As lesões por pressão são um grave problema para pessoas que apresentem qualquer condição que limite sua capacidade de mudar de posição</strong> seja por fatores situacionais, intrínsecos ou extrínsecos. Essa condição normalmente acomete pacientes acamados, idosos e cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida. Qualquer pessoa que passe muito tempo em uma única posição, sem alívio da pressão sobre a parte pressionada da superfície corpórea, apresenta risco para desenvolver uma lesão por pressão</p>
<p style="text-align: justify;">A natureza do tecido, bem como suas estruturas de suporte, isto é, vasos sanguíneos, fluido intersticial e colágeno, irão determinar a tolerância do tecido à pressão que podem levar a um processo isquêmico local. Além do mais, outros fatores como nutrição, perfusão, comorbidades e condição do tecido mole, irão contribuir para a formação de lesão por pressão.</p>
<p style="text-align: justify;"><mark>Alguns pacientes estão mais suscetíveis à ocorrência de lesões por pressão, seja por apresentarem idade avançada, baixo peso corporal, obesidade e imunidade deficiente, condições que incrementam esse risco</mark>. Idade avançada e baixa imunidade favorecem a fragilidade da pele, o que a torna mais propensa a danos. No baixo peso corporal, há déficit de tecidos como músculos e gordura, que funcionam como amortecedores e ajudam a distribuir a pressão sob as proeminências ósseas e diminuem a pressão exercida sobre a pele. Em pacientes obesos há sobrecarga de pressão sobre estas proeminências, o que acelera o dano tecidual.</p>
<p style="text-align: justify;">Observa-se uma predominância das lesões por pressão na região posterior, visto que, a maioria dos pacientes permanece em posição supina ou decúbito dorsal (deitado de barriga para cima). As áreas mais afetadas são normalmente as regiões isquiática, sacroccígea e calcânea e, também as regiões laterais como trocantérica e maléolos laterais. Vide figuras esquemáticas abaixo.</p>
<div class="two-columns">
<p><a href="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Pontos-de-Lesao-por-Pressao-1.png" target="_blank" rel="noopener"><img class="aligncenter wp-image-8062 size-full" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Pontos-de-Lesao-por-Pressao-1.png" alt="pontos-lesao-por-pressao-1" width="546" height="711" /></a></p>
<p><a href="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Pontos-de-Lesao-por-Pressao-2.png" target="_blank" rel="noopener"><img class="aligncenter wp-image-8063 size-full" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/Pontos-de-Lesao-por-Pressao-2.png" alt="pontos-lesao-por-pressao-2" width="550" height="711" /></a></p>
</div>
<div style="clear: both;"></div>
<hr />
<h2>Lesões por Pressão e a COVID-19</h2>
<p style="text-align: justify;">A <mark>pandemia de COVID-19</mark>, dentre tantos outros problemas ainda trouxe consigo mais um agravante, <strong><mark>o aumento da ocorrência das lesões por pressão</mark></strong>. Entretanto, observa-se uma mudança no padrão de lesões, a predominância do padrão de lesão por pressão em pacientes com COVID-19, passou da região posterior para a região anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso se deve ao fato de que, os pacientes com COVID-19, são mantidos em<mark> posição prona ou decúbito ventral (de barriga para baixo ou de bruços)</mark>, durante longos períodos de tempo, o que favorece o aparecimento de lesões por pressão na região anterior do corpo. É comum surgirem lesões na testa, nariz, bochechas, queixo, clavículas, ombros, cotovelos, peito, tórax, genitália, ossos pélvicos anteriores, joelhos, parte dorsais dos pés e dedos. <mark>A orientação é que esses pacientes fiquem em posição pronada pelo menos por 4 horas por dia, dividas em 2 sessões de 2 horas</mark>.</p>
<p>A porção posterior dos pulmões é a parte mais eficaz para transferir oxigênio para a circulação sanguínea de uma pessoa. Quando o paciente está deitado de costas, essa parte dos pulmões recebe muito sangue, mas não recebe oxigênio suficiente. O posicionamento em decúbito ventral fornece melhor ventilação à parte posterior dos pulmões.</p>
<figure id="attachment_8123" aria-describedby="caption-attachment-8123" style="width: 616px" class="wp-caption aligncenter"><img class="size-full wp-image-8123" src="https://farmaceuticodigital.com/wp-content/uploads/2021/02/image41.png" alt="posicao-pronada" width="616" height="201" /><figcaption id="caption-attachment-8123" class="wp-caption-text">Paciente em posição pronada | Imagem / Reprodução: Universidade Federal Fluminense</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><mark>As lesões por pressão em pacientes com COVID-19 desenvolvem-se da mesma maneira que em pacientes com mobilidade reduzida, porém de forma mais rápida e agressiva</mark>. Essas lesões apresentam como característica atingir grandes extensões e em planos mais profundos. As causas podem ser atribuídas ao processo inflamatório disseminado pelo vírus, que afeta vasos sanguíneos e provoca vasculite e, em conjunto com os danos pulmonares, compromete o suprimento de oxigênio para os tecidos. Some-se a isso a pressão exercida sobre as proeminências ósseas, o dano tecidual ocorre de maneira acelerada.</p>
<p style="text-align: justify;">E as consequências da pandemia não param por aí, <mark>também os profissionais que cuidam dos doentes por COVID-19 têm apresentado lesões de pele</mark> devido ao uso intensivo de equipamentos de proteção individual (EPI&#8217;s), durante longas horas de trabalho sem remoção dos equipamentos. O motivo é o uso constante de EPI&#8217;s como máscaras N-95 e óculos de proteção, necessários para os profissionais que prestam assistência direta aos pacientes com COVID-19 ou mesmo casos suspeitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Há estudos que relatam o uso de EPI&#8217;s por 8 horas ininterruptas ou mais, em que o profissional não retira o equipamento por medo de contaminação. Os profissionais mantêm o equipamento até o fim de seus plantões pois, <mark>o momento da desparamentação, tem sido o momento mais crítico e com maior risco para o profissional</mark>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda não há estudos suficientes sobre o tema com medidas que orientem e protejam o profissional a fim de evitar o desenvolvimento de lesões devido ao uso de EPI&#8217;s no entanto, são recomendadas medidas com base nos protocolos voltados para os pacientes em uso de ventilação não invasiva, baseados nas forças mecânicas que causam lesões por pressão, pressão e cisalhamento.</p>
<p style="text-align: justify;">As principais recomendações descritas para <mark>evitar lesões por pressão decorrentes do uso de EPI&#8217;s, são os cuidados com a pele</mark>, como hidratação, aplicação de produtos protetores que permitam a vedação do equipamento de proteção individual e diminuam a intensidade da pressão.</p>
<hr />
<div class="icon atention">
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</div>
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<hr />
<h5>Referências:</h5>
<ul>
<li><span style="font-size: 12px;">SILVA, Cassilei de Carvalho; CARVALHO, Áurea Ribeiro. <strong>Guia Prático de CURATIVOS &; COBERTURAS</strong>. Contagem: Própria, 2021. 122 p.</span></li>
<li><span style="font-size: 12px;">UFF, Universidade Federal Fluminense. <strong>Posicionar Paciente (lateral e prona a cada 2h) e covid 19</strong>. Disponível em: http://nepae.uff.br/2020/05/01/10014761-posicionar-paciente-lateral-e-prona-a-cada-2h-e-covid-19/. Acesso em: 27 fev. 2021.</span></li>
<li><span style="font-size: 12px;">VITACARE. <strong>Lesão por pressão em pacientes com Covid-19: quais protocolos seguir e quais cuidados a equipe de saúde deve tomar</strong>. Disponível em: https://www.vitacare.com.br/blog/lesao-por-pressao-em-pacientes-com-covid-19-quais-protocolos-seguir-e-quais-cuidados-a-equipe-de-saude-deve-tomar. Acesso em: 27 fev. 2021.</span></li>
<li><span style="font-size: 12px;">ATUAL, Revista Enfermagem. <strong>COVID –19: MEDIDAS DE PREVENÇÃO DE LESÃO POR PRESSÃO OCASIONADAS POR EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE</strong>. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/768/684. Acesso em: 27 fev. 2021.</span></li>
</ul>

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Olá,
Este artigo foi escrito pelo farmacêutico Cassilei Carvalho